Walter Soares Pinto, um grande nome para tratamento de queimaduras no Brasil

- 21/08/2020

O país perdeu um grande amigo e profissional, mas que deixou grande legado

Neste sábado (22), completam sete dias em que perdemos o amigo e grande profissional Walter Soares Pinto. A missa de 7º Dia será realizada às 14h30, na Paróquia Nossa Senhora da Aparecida de Moema (SP), e quem quiser acompanhar poderá ir pessoalmente ou assistir online.

O cirurgião plástico foi um dos idealizadores da Sociedade Brasileira de Queimaduras e participou do grupo que ajudou a fundar a entidade.

Walter Soares Pinto exerceu, no Brasil, importante papel nos avanços ao tratamento de queimaduras e ajudou a trazer e difundir no Brasil o enxerto em malha no tratamento de queimaduras, ainda em 1973.

Ele entrou para a faculdade de medicina, aos 17 anos, em 1955. Sempre aluno de escola pública, foi aprovado em terceiro lugar na Universidade de São Paulo. Estudou cirurgia geral, especializou-se em cirurgia plástica e, desde o início, foi apaixonado pela atuação com pacientes queimados.

“Meu pai adorava desafios. Tudo que era mais complexo, que ninguém queria fazer, ele era o primeiro a ter atitude e participava, ativamente, de vários casos”, relembra a filha, a médica Débora Cristina, que herdou do pai o amor pela cirurgia plástica e pelo atendimento aos pacientes queimados.

Na década de 1980, ainda no Hospital das Clínicas, fez a fusão da cirurgia plástica com a área de queimados, criando a Divisão de Cirurgia Plástica e Queimaduras. Mais tarde, tornou-se diretor técnico da unidade, onde ficou até sua aposentadoria. Depois disso, passou a ser professor titular de Cirurgia Plática da Universidade de Santo Amaro, onde ficou por 10 anos.

“Eu era criança e me lembro que ficava na sala, assistindo quando ele preparava suas  aulas. Convivi com o amor dele pelos queimados desde que eu era pequena. Nas festas de finais de ano do Hospital Bandeirantes, em São Paulo, os pais levavam os filhos e ele nos levava para ver os queimadinhos”, recorda Débora.

Além da medicina, Walter cursou administração de empresas e administração hospitalar. Terminou a carreira como perito judicial, com o que trabalhava há 20 anos. “Depois que parou de operar, começou a atuar nessa área e parou somente na véspera de sua internação, há cerca de cinco semanas. Depois que ele morreu, descobrimos que ele não havia deixado nenhuma pendência. Ele era um homem muito organizado”, destaca a filha, que fala com muito amor e voz embargada sobre o pai.

Walter Soares faleceu em decorrência de complicações de um problema cardiológico. 

FAMÍLIA – Casado com Olympia há 58 anos, Walter era pai Débora e do advogado Walter Rogério. Porém, os amigos também faziam parte da vida dele com bastante proximidade. 

“Meu pai era um homem alegre. Sentar com ele era ouvir piadas e sorrir o tempo inteiro. Ele não sabia dizer não, não se indispunha com ninguém,amenos que fosse para fazer justiça. Ele sempre foi um homem muito justo”, elenca Débora Cristina.

Ela e a família querem que ele seja lembrado assim, como um homem alegre, que seja lembrado pelo amor à cirurgia plástica e ao atendimento aos queimados. “Todas as coisas que ele fez traduziram o amor à medicina, à cirurgia plástica, ao tratamento aos queimados, aos amigos e à família”, destaca.

Sobre o profissional, os amigos David de Souza Gomez, médico diretor da |Cirurgia Plástica e responsável pelo Serviço de Queimaduras do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e RoflGemperli, professor titular de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da USP, escreveram: 

“Àqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver, resta uma sensação de vazio. Sua simpatia, estampando sempre no rosto um sorriso acolhedor para qualquer que fosse a solicitação dos que o rodeavam, ficará para sempre marcada na memória desses afortunados.”

A Sociedade Brasileira de Queimaduras, em nome de seu atual presidente, José Adorno, se solidariza com a família e também destaca a importância de Walter Soares no cenário de atendimento a pacientes queimados no Brasil.

“Ele representa a fundação do tratamento em queimaduras e com direcionamento para se criar uma estrutura realmente voltada para cuidar disso. Ele foi um exímio profissional que trabalhou com queimadura durante praticamente toda sua vida, para o ensino, para melhoria de políticas, participou de ações no Ministério da Saúde para alcançar melhorias no tratamento de queimaduras e grande incentivador, uma pessoa de muita simplicidade”, frisa José Adorno.


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