“Ser grato por continuar vivo colocou em meu coração um propósito de seguir em frente fazendo das cicatrizes uma oportunidade de testemunhar a vida”

- 24/11/2025

Aos 15 anos de idade, o cabelo loiro chamava a atenção de longe. Para o então adolescente, passear com os amigos, praticar esportes e tocar violão clássico estavam entre os hobbys. Mas em dezembro de 1988, tudo mudou. Uma explosão na churrasqueira, justamente quando comemorava a colação de grau do ensino fundamental, atingiu em cheio a cabeça de Nilson Dias.

Foram 65% do corpo atingidos, com queimaduras de segundo e terceiro graus da cabeça aos joelhos. A previsão inicial era de seis meses de internação, mas a resposta ao tratamento fez com que Nilson saísse após dois meses. “Corri risco de morte desde o momento do acidente até a saída da UTI, onde fiquei por alguns dias, até ser transferido para o quarto”, relembra. 

Foram 20 cirurgias, incluindo enxertos no rosto e braços. “Após o período de internação, segui com curativos em casa e utilização da malha para compressão da pele. Com o apoio de familiares, voltei a andar aos poucos e fazer minha própria higiene pessoal”, conta. 

Para ele, o apoio da família e de amigos fez com que ele não precisasse de acompanhamento psicológico. Mas isso não quer dizer que ele não tenha passado por um período difícil de dores e aceitação das cicatrizes. 

“Por ser adolescente, tive bastante dificuldade de lidar com minha aparência naquela época, especialmente quando as pessoas ficavam olhando. Mesmo no verão, costumava utilizar camisas de manga longa para tentar cobrir ao máximo minhas cicatrizes”, conta.

Nilson diz que a malha compressiva também era um grande desafio. “Quando voltei a estudar e trabalhar, sofria com o transporte público porque não podia ficar muito tempo em pé nem com o braço esticado, me segurando nas barras dos ônibus. As cicatrizes doíam muito”, relembra.

Paixão de adolescência

Passada a fase crítica, Nilson trouxe para o centro da sua vida uma antiga paixão: a música – que, segundo ele, associada à fé o ajudou a superar todos os traumas. 

“Sou pós-graduado em violão: pedagogia e performance e desde minha saída do hospital desenvolvo o Projeto Violão Vida, que em dezembro completará 37 anos de composições musicais, ensino coletivo de violão para formação de cameratas de violões, além de recitais e concertos no Brasil, Cuba e Espanha”, conta ele que desde 2022 é Embaixador do Dia Mundial do Violão representando o Brasil entre 130 países. Pelo segundo ano consecutivo, é medalhista nas Olimpíadas de Violão na Grécia (Volos Guitar Mundial Olympíad).

“Servir ao próximo com meu talento musical também levou-me a considerar que muitos de nós passamos por acidentes, sejam eles físicos ou psicológicos. Ser grato por continuar vivo colocou em meu coração um propósito de seguir em frente fazendo das cicatrizes uma oportunidade de testemunhar a vida, especialmente para os que sofrem”, deixa a mensagem.

Para além da música, Nilson também constituiu família. Casado há 30 anos, é papai de uma única filha e vovô da Aurora, que acaba de completar 10 meses de vida. 

Para acompanhar o trabalho de Nilson, acesse suas redes sociais

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