Primeiro boletim epidemiológico que abrange queimaduras é publicado

- 13/01/2023

Ministério da Saúde, com apoio da SBQ, lançou os dados sobre óbitos por queimaduras no Brasil


Pela primeira vez será possível ter conhecimento do número de óbitos por queimaduras no Brasil. Os dados, de 2015 a 2020, constam no Boletim Epidemiológico volume 53, nº47, elaborado pelo Ministério da Saúde, com colaboração da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) e outras entidades. É um estudo descritivo, com dados secundários de óbitos de residentes no Brasil registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Segundo o documento, considerando a população atendida em unidades hospitalares do SUS, as queimaduras acidentais foram mais frequentes em “indivíduos de 20 a 39 anos (40,7%); sexo masculino (57%); acidentes com ocorrências domiciliares (67,7%); queimaduras decorrentes do manuseio de substâncias quentes (52%)”. Das queimaduras ocorridas em casa, a maioria foi em jovens menores de 15 anos (92%) e em idosos (84,4%), bem como as mulheres (81,6%), resultantes, em sua maioria, do manuseio de substâncias quentes. Já os acidentes ocorridos no comércio, nos serviços e na indústria acometeram principalmente indivíduos entre 16 e 59 anos (73,6%).

No período de 2015 a 2020 ocorreram 19.772 óbitos por queimaduras, dos quais 53,3% (10.545) foram atribuídos às queimaduras térmicas; 46,1% (9.117) às queimaduras elétricas; e 0,6% (110) a outras causas de queimaduras, as quais incluem agentes químicos, geladura e radiação.

Conforme explica o membro da SBQ que colaborou com a produção do boletim, Sérgio Fernandes, os boletins epidemiológicos são publicações científicas periódicas, de caráter técnico e oficial, acerca de doenças específicas de interesse de saúde pública. “A escolha de queimaduras acontece por ser uma ocorrência muito frequente e, embora tenha uma letalidade (capacidade de provocar mortes uma vez que aconteça) baixa, quando comparadas com outras doenças de interesse epidemiológico, tem um grande potencial para deixar sequelas e problemas de readaptação que podem levar perdas importantes para a economia e a sociedade, uma vez que incidem com maior frequência em jovens”, informa.

O Boletim Epidemiológico indica que campanhas ineficazes de prevenção, insuficiência de dados epidemiológicos específicos para direcionamento de campanhas preventivas, linhas de cuidado desestruturadas, profissionais do atendimento inicial na emergência sem treinamento qualificado ou conhecimento do protocolo básico, somados à falta de acesso amplo à população são fatores contribuintes para desfechos desfavoráveis nos países de baixa ou média renda em se tratando de queimaduras.

Dessa forma, o estuda aponta que a “prevenção de acidentes reduz custos para o sistema de saúde e para a sociedade, além de poupar vidas e sofrimento associado às incapacidades. As queimaduras mostram-se relacionadas às populações de nível socioeconômico vulnerável, baixo nível educacional e ambientes de risco, em especial, situações passíveis de prevenção em ambiente doméstico. Medidas preventivas, como programas educacionais e mais segurança nas residências têm contribuído para diminuir incidência e gravidade das queimaduras”.

“Os boletins epidemiológicos são uma ferramenta muito importante de acompanhamento de agravos de interesse epidemiológico. Num país das dimensões do Brasil, isso permite identificar surtos, classificar endemias, perceber emergências epidemiológicas, comparar regiões, além de manter um registro histórico do comportamento dos agravos em observação. A disponibilização pública dá transparência e permite contestações e críticas da comunidade científica, o que torna a informação mais consistente e confiável”, esclarece Sergio Fernandes.

Concluído o estudo, os elaboradores do boletim identificaram que os “resultados sobre mortalidade apresentam um panorama inicial que aponta para a necessidade de análises mais aprofundadas para dar suporte às estratégias e investimentos de atenção ao problema. O planejamento cuidadoso de intervenções em educação em saúde, manutenção de estruturas, engenharia de produtos e leis regulatórias, assim como o reconhecimento das fragilidades de acesso ao cuidado necessário podem ser capazes de modificar o cenário apresentado”.


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