É preciso evoluir para oferecer qualidade no atendimento ao queimado

YD Comunicação - 07/04/2023

Da prevenção à reabilitação, falta cobertura para todas as vítimas, em vários estados brasileiros


Saúde para todos. Esse é o tema escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde 2023, celebrado em 7 de abril. A frase, porém, parece um sonho difícil de ser alcançado. Ainda mais quando o assunto é queimaduras. "Nós temos desafios de ponta a ponta, ou seja, desde a prevenção até o tratamento", lamenta o representante interinstitucional nacional da Sociedade Brasileira de Queimaduras, José Adorno. Isso inclui falta de centros especializados em várias regiões do país e de políticas públicas de prevenção e tratamento.


"Precisamos fazer campanhas mais direcionadas aos públicos específicos e também por regiões, pois temos uma grande diversidade no Brasil", destaca Adorno. Ele, ainda, ressalta que é preciso melhorar o acesso. "Somos centrados no atendimento de grande complexidade e não desenvolvemos a média complexidade. Estamos começando a discutir essa linha de cuidados e Minas Gerais saiu na frente. Precisamos estratificar a rede para que possam ser atendidos por hospitais que não tenham centros de tratamento a queimados", observa. 

Para Adorno, para abrir mais espaços para atendimento ao paciente queimado também é necessário qualificar profissionais desde o primeiro atendimento, diminuindo o risco de morte e a diminuição de sequelas. "Neste ponto, a SBQ tem o CNNAQ, as jorndas e congressos, na tentativa de capacitar não somente os médicos, mas todos aqueles envolvidos nas equipes que podem atender pacientes queimados", diz. 

Expandir a rede de atendimento no país é outro desafio. Um estudo feito pela SBQ em 2021 aponta que apenas 60 hospitais em todo o país contam com algum tipo de atendimento a queimados. A região Sudeste é a que concentra mais centros de tratamento a queimados. Por outro lado, há estados que não têm, sequer, um local de referência para este tipo de atendimento, como é o caso de Tocantins, Acre e Rondônia, por exemplo. "O Nordeste tem vários vazios assistenciais. O Maranhão vai receber seu primeiro CTQ agora", destaca Adorno. 

Ele destaca que são 800 leitos reservados para internação de pacientes queimados. "E não tem como sabermos se esse tanto atende porque não temos dados. "O que propusemos ao Ministério da Saúde é que façamos uma análise da capacidade instalada no país para que a gente estude as regiões e entenda quem precisa desse atendimento. É preciso pensar numa estruturação de rede de assistência. Isso vai dentor da discussão da linha de cuidados. Precisamos de dispositivos físicos e de profissionais", frisa o ex-presidente da SBQ. 

A SBQ tem atuado para estreitar a proximidade com os órgãos que operacionalizam a política, seja os municipais ou com o Ministério da Saúde para que a gente possa progredir na linha de cuidados. Ano passado evoluímos com discussão técnica com o primeiro workshop, realizado em julho do ano passado, o que é um marco documental para que a gente possa dar sequência nesse governo. "Há aproximação com o Ministério da Saúde, estamos estudando um projeto de implantação com serviço de atenção domiciliar. Precisamos evoluir nessa política e disso depende nossos bons resultados para tratamento de queimadura, especialmente as maiores", finaliza Adorno.

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