SBQ e Fundação Ecarta se unem em busca da aprovação do uso de membrana amniótica em queimados

- 24/07/2024

O médico José Adorno vai participar de evento da entidade para lançar Frente Nacional em busca de apressar o processo de regulamentação neste assunto

O representante Interinstitucional Nacional da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o médico José Adorno, participa, nesta quinta-feira (25), do lançamento da Frente nacional pela aprovação do uso de membrana amniótica em queimados. O objetivo dessa frente é apressar o processo de regulamentação do uso desse material no Brasil. 

A constituição de uma frente foi sugerida pela Fundação Ecarta, por meio do projeto Cultura Doadora, que tem como missão a sensibilização para a doação de órgãos e tecidos e a melhoria da estrutura médico-hospitalar. “Os benefícios do uso da membrana amniótica podem garantir melhorias no tratamento de mais de 100 mil pacientes que sofrem queimaduras ao ano no Brasil”, justifica Marcos Fuhr, presidente da Ecarta.

A membrana amniótica é a camada mais interna da placenta, que produz o líquido amniótico. Ele tem muitos fatores de crescimento os quais estimulam e melhoram a cicatrização. O procedimento está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), no Ministério da Saúde, desde 2021, logo após o Conselho Federal de Medicina autorizar seu uso. 

“Nossa participação será online em apoio à construção política, nessa liberação e, posteriormente, definindo diretrizes para o uso, definir, junto aos bancos de tecido, os protocolos de utilização da membrana amniótica de maneira racionalizada. É uma ação importante”, frisa José Adorno. 

Além da SBQ  e da Fundação Ecarta, o evento é promovido pelo banco de tecidos Dr. Roberto Chem, pela Associação de familiares vítimas e sobreviventes da Tragédia de Santa Maria e pela Unidade de Queimados do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. 

Doação - Há mais de 10 anos, médicos e profissionais da saúde vêm reivindicando o uso da membrana amniótica no tratamento de queimados e demais ferimentos graves. O Brasil é o único país da América do Sul que ainda não regulamentou o uso. 

“Com a regulamentação, 100% das necessidades por pele seriam supridas com um material que supera em cicatrização, qualidade e em custo qualquer outro curativo biológico”, resume o cirurgião plástico Eduardo Mainieri Chem, coordenador do Banco de Pele da Santa Casa de Porto Alegre. 

Segundo Chem, a membrana é mais fácil de captar, de esterilizar, de disponibilizar quase instantaneamente, com custos e logística muito menores. Já a pele vem contaminada, não tem sorologia do doador, os custos são infinitamente maiores com toda a logística de captação, laboratórios, exames, tratamentos da pele coletada que passará por processos complexos até estar apta para uso.

Atualmente, o Brasil conta com quatro bancos de pele, que juntos atendem menos de 10% da demanda nacional. Os bancos utilizam pele doada por familiares de pacientes com óbito por parada cardiorrespiratória ou morte encefálica para usar como curativos. 

Parceria - A SBQ e a Fundação Ecarta estão em fase final de elaboração de um termo de cooperação técnico-científica entre as duas entidades para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, promoção de doação de pele e do uso de membrana amniótica, capacitação de profissionais e fomento a políticas públicas voltadas ao tratamento de pacientes vítimas de queimaduras.

Para o presidente da Fundação Ecarta, é valioso somar esforços para salvar vidas. “Formalizar esta parceria com a SBQ é uma grande satisfação para a Fundação pela importância institucional dessa entidade nacional em reforçar esta pauta pela autorização da membrana amniótica no Brasil”, complementa. 

Segundo José Adorno, o uso da membrana vai beneficiar muito os pacientes queimados, especialmente, os grandes queimados. “Eles necessitam de substituto temporário de pele para conduzir o seu tratamento clínico cirúrgico, diminuir infecção, diminuir dor, melhorar a qualidade do tratamento”, frisa o médico, lembrando que o Brasil já teve uma experiência com uso de membrana na época do incêndio da Boate Kiss, quando países vizinhos enviaram estoques de curativos de membrana, permitindo o tratamento de mais de 100 vítimas internadas com queimaduras. 

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