- 11/02/2026
O Brasil registrou 509 mortes por queimaduras de janeiro a novembro de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. A Região Sudeste teve o maior volume de casos (230), sendo 115 no estado de São Paulo. A maior incidência ocorreu na faixa etária de 40 a 49 anos, com 77 óbitos. Os dados são preliminares.
Os atendimentos ambulatoriais e
hospitalares também foram expressivos. O Ministério da Saúde informou à Sociedade
Brasileira de Queimaduras que foram registrados no Brasil 6,7 mil atendimentos
ambulatoriais e quase 20 mil atendimentos hospitalares por queimaduras de
janeiro a novembro de 2025.
Os dados referem-se ao número de
atendimentos realizados e não ao total de pessoas atendidas, uma vez que uma
mesma pessoa pode ter sido atendida mais de uma vez pela mesma causa.
“As queimaduras permanecem como um grave
problema de saúde pública no Brasil, com impacto que vai além da mortalidade e
atinge de forma significativa adultos em idade produtiva”, destaca a presidente
da Sociedade Brasileira de Queimaduras, Kelly de Araujo.
Ela ressalta, ainda, que a assistência
ao paciente queimado exige equipes multiprofissionais capacitadas desde o
atendimento ambulatorial até os casos de alta complexidade, além de
financiamento adequado para garantir cuidado contínuo, reabilitação e prevenção
de sequelas.
São Paulo registra mais casos
Entre os atendimentos ambulatoriais, São
Paulo (1.153) – onde houve mais casos entre adultos jovens e crianças - e Rio de
Janeiro (1.055) foram o que mais registraram. Goiás também teve um número alto,
com 938 atendimentos, sendo a maioria adultos e o estado em que mais registrou
atendimento em idosos (110).
Nos atendimentos hospitalares, São Paulo
também registra o maior número: 3.839. Com números aproximados, Bahia, Minas
Gerais e Paraná registram uma média de dois mil atendimentos.
Segundo Kelly de Araujo, que é cirurgiã
plástica, mais de 90% das queimaduras são evitáveis. “A ausência de
investimentos consistentes em prevenção resulta em custos assistenciais
extremamente elevados, uma vez que o tratamento do paciente queimado é
complexo, prolongado e apresenta aumento exponencial dos gastos conforme a
extensão da área corporal queimada. Investir em prevenção é, portanto, uma
medida essencial de proteção à vida e uma decisão economicamente racional”,
destaca.
Diante desse cenário, a Sociedade
Brasileira de Queimaduras defende a necessidade de criação e implementação de
uma linha de cuidado do paciente queimado no Brasil, estruturada desde a
prevenção até a reabilitação, com definição clara de fluxos, responsabilidades
e monitoramento contínuo. Iniciativas estaduais em curso demonstram que esse
caminho é possível, mas reforçam a urgência de que essa organização se torne
uma política nacional.