Doação de pele continua em baixa

YD Comunicação - 25/07/2022

Desde o lançamento da Campanha Permanente de Doação de Pele, pela SBQ, há um ano, os estoques ainda não estão como esperados 

Para informar e conscientizar a população sobre a doação do material, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) lançou, há um ano, a Campanha Permanente de Doação de Pele. Maior órgão do corpo humano, o material pode salvar a vida de pacientes vítimas de queimaduras. 

Infelizmente, as doações estão longe do esperado pelos quatro bancos de tecidos em funcionamento do país. Muitos funcionam com o estoque baixo ou até mesmo zerado. Dados do Ministério da Saúde mostram que houve uma redução de cerca de 30% na doação de pele desde 2019, antes da pandemia. 

O Banco de Tecidos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre está, atualmente, com um mínimo de estoque liberado. “No restante do ano, trabalhamos na grande parte dos meses com estoque zero. Nos meses em que houve doações, assim que as peles foram liberadas, não ficaram mais que duas semanas sem saída”, conta Eduardo Chem, diretor do Banco de Tecidos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Entre os fatores que atrapalham as doações estão a redução no número de abordagens familiares e o grande volume de procedimentos cirúrgicos que estão sendo retomados e acumularam durante a pandemia - o que onera as equipes e blocos cirúrgicos para realizar as captações. 

Segundo Eduardo Chem, há, ainda, contraindicações para as doações advindas da pandemia. “Passaram-se muitos meses até que tivéssemos um teste de covid-19 liberado e implantado para os doadores e pudéssemos voltar a captar. Além das contraindicações clínicas que nos limitam, doadores que tiveram contato com casos positivos ou suspeitos não podem doar tecidos por 14 dias; pessoas que passaram por covid-19 ficam impedidas de doar tecidos por 28 dias; e vacinados podem limitar em até sete dias a doação”, informa. 

A desinformação e o desconhecimento da vontade de quem faleceu em doar também são fatores que impedem a doação de pele. 

“É de extrema importância que o assunto seja amplamente abordado e periodicamente reforçado, que as pessoas conheçam o processo, saibam quantas pessoas podem ser beneficiadas numa doação de órgãos e tecidos, e principalmente, que todos conversem com familiares e amigos sobre o desejo de doar, é imprescindível que a família saiba deste desejo, pois são as únicas pessoas que podem consentir com a doação após a morte”, reforça Chem.

Doação – A retirada de pele é realizada a partir de indivíduos com diagnóstico de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória, respeitando a autorização familiar, como acontece com a captação de outros órgãos. 

Uma fina camada de pele com espessura de aproximadamente 1 mm é retirada de áreas escondidas, como costas, coxas e pernas. Não causa sangramentos e não acarreta nenhum tipo de deformidade na aparência do doador. O material pode ficar armazenado por até dois anos sob refrigeração de 2 a 6°C.

Os bancos de tecidos são os responsáveis pela captação, preparo e distribuição das peles doadas. Atualmente, existem quatro em funcionamento no país, o Banco de Tecidos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre; o Banco de Tecidos do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo; o Banco de Multitecidos Humanos, em Curitiba; o Banco de Pele do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro.

O banco de pele do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), recebeu autorização para captação de pele humana no início de dezembro de 2021, ainda não está captando tecido. O coordenador do banco, Pedro Coltro, informou que estão montando uma equipe de captação.


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