A realidade dos CTQs pelo Brasil – Centro de Tratamento de Queimados do Hospital da Restauração, em Recife

YD Comunicação - 20/05/2022

Referência em Pernambuco, o Centro de Tratamento de Queimados do Hospital da Restauração (HR) enumera conquistas ao longo dos 52 anos de existência. O local atende pacientes de todo o estado e de regiões vizinhas.

Conforme o chefe do CTQ, Marcos Guilherme Barretto, o local tem uma boa estrutura física e uma equipe completa para atendimento dos pacientes com queimaduras. “Acredito que já estou perto de deixar a medicina, são 48 anos dedicados ao paciente queimado. Eu deixarei um legado para a área, para alguém que queira se dedicar a este paciente tão sofrido e desamparado por todos”, ressalta.

Confira a íntegra da entrevista sobre a unidade:

Como é a estrutura do CTQ, tanto física quanto de profissionais?

A estrutura foi pensada desde a fundação do hospital, há 52 anos. No início era muito incipiente e sem uma estrutura específica para o tratamento do paciente queimado. Eram duas enfermarias, sendo uma adulto e uma infantil.

A assistência era muito precária, pois não havia interesse nesse tipo de paciente, nem pessoas 

dispostas a se dedicar, então, o serviço contava com três cirurgiões plásticos, um clínico e uma pediatra.

Na década de 80, assumi a unidade, após muito trabalho e discursões, com os componentes da unidade e da direção geral, iniciei as mudanças para tornar a unidade um centro de referência.

Ampliamos para 40 leitos, sendo 12 adultos masculinos, 13 adultos femininos e 15 infantis. Implantamos o sistema de plantão 24 horas, presença do cirurgião na unidade, pediatra e clínicos durante o dia.

Implantamos, já na década de 80, analgésica com presença de um anestesista, nos sete dias da semana, para curativos e desbridamentos e anexamos uma sala de cirurgia dentro do serviço, de modo que o paciente queimado não precisasse sair da unidade.

Muito trabalho para implantar o quadro de pessoal. Temos hoje:

- 14 médicos, sendo três pediatras, nove cirurgiões e dois clínicos;

- Dois anestesistas diariamente para as cirurgias e para curativos e um para curativos em finais de semanas, pois trabalhamos os sete dias no mesmo padrão;

- Seis fisioterapeutas motores e três fisioterapeutas respiratórios, em regime de plantão, sete dias, das 7h às 19 horas;

- Uma fonoaudióloga;

- Uma terapeuta ocupacional;

- Dois nutricionistas;

- Dois psicólogos, adulto e infantil;

- 15 enfermeiros;

- 92 técnicos de enfermagem, quatro maqueiros treinados para mobilização do paciente do leito para a maca e após o curativo reposição do paciente no leito, com o paciente sedado.

Em termos de treinamento, recebemos os residentes de cirurgia plástica do Hospital das Clínicas, do Hospital Agamenom Magalhães e do IMIPE (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), além de residentes de pediatria e de dermatologia do Hospital do Câncer de Pernambuco. Recebemos, também, residentes de enfermagem.

Tem capacidade para atender quantos pacientes?

Temos um número de atendimento de 250 pacientes por mês. Desses, 85 ficam internados. Por mês, realizamos 600 curativos e desbridamentos sob sedação; em torno de 30 cirurgias e 400 atendimentos com troca de curativos em nosso ambulatório.


Temos uma média de permanência de adulto de, aproximadamente, 15 dias, o que faz o nosso leito rodar dois pacientes por mês, ou seja, temos capacidade de 50 adultos no mês e temos uma média de permanência infantil de 5,5 dias, que nos permite ter atendimento para até cinco pacientes por leito.

O índice de mortalidade é de 6,5% em adultos e discretamente diferente de zero em criança.

Com a pandemia, essas dificuldades foram potencializadas? O que mudou?

Quanto as dificuldades, a maior ainda é convencer médicos a virem trabalhar no setor, pois é uma área exigente, com muito trabalho e o tipo de paciente é muito complexo, desde a entrada até a sua saída. É o tipo de paciente que detém muitas sequelas e o especialista de cirurgia plástica prefere trabalhar com estética, por isso, tenho colocado alguns cirurgiões gerais.

Durante a pandemia, nos adaptamos em todos os sentidos e tivemos a UTI de covid como apoio, o que fez com que o serviço continuasse a funcionar normalmente.

Este é mais ou menos uma fotografia do nosso centro de queimados do Hospital da Restauração, que atende todo o estado com 10 milhões de habitantes e pacientes vindos de regiões vizinhas.




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