- 01/10/2026
Acidentes com queimaduras podem ter consequências graves para pessoas idosas, especialmente em situações domésticas, como o preparo de alimentos, o manuseio de líquidos quentes e o uso de equipamentos elétricos. Com o envelhecimento, a pele tende a ficar mais fina e vulnerável, enquanto alterações na sensibilidade, na visão e na mobilidade podem dificultar a percepção de situações de risco e a reação rápida diante de um acidente.
A prevenção é fundamental para reduzir a ocorrência desses casos e evitar complicações. Queimaduras que parecem pequenas podem exigir atendimento médico, principalmente quando atingem áreas sensíveis, como rosto, mãos, pés e articulações, ou quando ocorrem em pessoas com outras condições de saúde.
Cozinhas, banheiros e ambientes de convivência merecem atenção especial. Derramamentos de água, café, chá e outros líquidos quentes, contato com panelas, exposição direta ao fogo e acidentes com aparelhos elétricos estão entre as situações que exigem cuidados no dia a dia.
Entre 2009 e 2019, cerca de 220 mil pacientes idosos foram internados por queimaduras no Brasil, sendo 77,02% com idade entre 60 e 79 anos. A maioria deles ocorre dentro de casa.
Cuidados simples ajudam a prevenir acidentes
Para reduzir os riscos de queimaduras, familiares, cuidadores e os próprios idosos podem adotar medidas preventivas no ambiente doméstico. A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) destaca que a atenção às atividades cotidianas é fundamental, especialmente quando há limitações de mobilidade, visão, audição ou cognição.
Entre as principais recomendações estão:
Na cozinha: manter cabos de panelas voltados para dentro do fogão, evitar transportar recipientes com líquidos quentes em excesso e utilizar luvas térmicas para manusear utensílios aquecidos.
No banheiro: verificar a temperatura da água antes do banho, principalmente quando houver redução da sensibilidade da pele.
No aquecimento da casa: manter distância segura de fogões a lenha, lareiras, aquecedores e outras fontes de calor.
Com equipamentos elétricos: observar as condições de fios, tomadas e aparelhos, evitando improvisações e instalações danificadas.
Na organização dos ambientes: manter boa iluminação, retirar obstáculos e garantir caminhos livres para circulação, reduzindo o risco de quedas sobre superfícies quentes ou objetos perigosos.
No uso de produtos químicos: utilizar proteção adequada e evitar o manuseio de substâncias corrosivas sem conhecimento e condições de segurança.
Também é importante que familiares e cuidadores avaliem se o idoso precisa de acompanhamento em atividades que envolvam fogo, água quente ou produtos perigosos. A medida deve respeitar a autonomia da pessoa, com adaptações que favoreçam sua segurança.
O que fazer em caso de queimadura?
Quando ocorre uma queimadura, a primeira medida é interromper o contato com a fonte de calor, desde que isso possa ser feito com segurança. A área atingida deve ser resfriada com água corrente em temperatura ambiente, sem utilizar gelo diretamente sobre a lesão.
Não se deve aplicar pasta de dente, manteiga, café, óleos ou outras receitas caseiras, nem furar bolhas ou arrancar tecidos que estejam grudados à pele. Após o resfriamento, a região pode ser protegida com um pano limpo, sem apertar o ferimento.
Em pessoas idosas, a avaliação médica é especialmente importante devido ao maior risco de complicações. Queimaduras extensas, profundas, elétricas ou químicas, assim como lesões no rosto, nas mãos, nos pés, nos genitais ou em grandes articulações, exigem atendimento imediato. Diante de uma lesão grave, dificuldade respiratória ou suspeita de inalação de fumaça, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
A prevenção continua sendo a principal forma de evitar lesões e preservar a qualidade de vida na terceira idade. Com ambientes adaptados, orientação adequada e atenção às tarefas diárias, é possível reduzir os riscos e proporcionar mais segurança e independência às pessoas idosas.
Imagem feita por IA.