- 23/07/2026
Membros da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) estão em missão técnica do Ministério da Saúde em Angola para colaborar com a estruturação e a capacitação de equipes do Hospital Presidente Julius Nyerere, unidade que será referência nacional naquele país para o tratamento de pacientes queimados, feridas complexas e cirurgia reconstrutiva.
A iniciativa faz parte da Cooperação Técnica Brasil–Angola voltada ao fortalecimento dos sistemas públicos de saúde por meio da formação de profissionais e da transferência de conhecimento especializado. O Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Geral do Estado da Bahia (HGE),foi escolhida para a primeira etapa da missão.
A ida da comitiva brasileira faz parte do Projeto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS) da Angola, que prevê capacitar cerca de 38 mil profissionais até 2028, dos quais 80% em instituições nacionais e 20% em centros internacionais de referência, reforçando a capacidade técnica do Sistema Nacional de Saúde.
A delegação brasileira reúne especialistas do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado da Bahia (HGE), do Ministério da Saúde, da Agência Brasileira de Cooperação e representantes da SBQ que participam de atividades de capacitação, intercâmbio técnico e discussão de protocolos assistenciais para apoiar a implantação da nova unidade hospitalar angolana.

Representando a SBQ estão a Dra. Moelisa Dantas, diretora científica da entidade; o Dr. Marcus Barroso, ex-presidente da Sociedade; a Dra. Luciana Sobral, integrante do Comitê de Pediatria; a fisioterapeuta Verena Ramos, representante do Comitê de Fisioterapia; e a nutricionista Cecília Fraga, do Comitê de Nutrição. Ainda compõem a missão o representante do Ministério da Saúde, Dr Miguel Aguila Toledo e da Agência Brasileira de Cooperação, Bruno Andrade.
Brasil como anfitrião
O HGE também recebe profissionais da Angola para conhecerem a realidade brasileira no atendimento ao paciente queimado. O médico angolano Santos Baptista Pedro Ndilu é um deles. “A experiência está sendo muito boa, pois estou vendo de perto as tecnologias, a abordagem, os curativos e podendo levar ao meu país novas habilidades”, comentou.
Ele ressaltou que na Angola há muitos casos de queimaduras e que essa troca de conhecimento vai ser de grande valia.
Não existe um número total exato de todos os casos de queimaduras em Angola, pois faltam dados nacionais unificados, mas um dos hospitais de referência para esse tipo de atendimento no país, o Hospital Geral Especializado Neves Bendinha (conhecido como o hospital dos queimados em Luanda) atende centenas de casos mensais, com picos de mais de 480 registros em períodos específicos. Em fevereiro deste ano, somente em um fim de semana, foram recebidas 80 vítimas de queimaduras, a maioria crianças.
A cooperação entre Brasil e Angola integra um amplo programa de fortalecimento dos recursos humanos em saúde, desenvolvido pelos dois países com foco na qualificação profissional, intercâmbio de experiências e consolidação de redes de assistência especializada.
Para a Sociedade Brasileira de Queimaduras, participar dessa iniciativa representa uma oportunidade de compartilhar a experiência acumulada ao longo de décadas na assistência ao paciente queimado, contribuindo para a formação de profissionais, o fortalecimento da cooperação internacional e a disseminação de boas práticas. A vice-diretora científica da SBQ, Moelisa Dantas, destacou a preocupação do projeto com a humanização dos cuidados.
A missão tem uma atividade prevista para o próximo domingo, um workshop internacional de capacitação em atenção integral ao paciente queimado, uma iniciativa da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde do Brasil (SGTES/MS) e do Ministério da Saúde de Angola, com apoio técnico do Hospital Geral do Estado (HGE) – Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB/Governo da Bahia), Centro de Referência Nacional no Atendimento ao Paciente Queimado.