- 26/02/2026
“Jamais, na minha vida, eu imaginaria que
era tão doloroso e tão difícil a vida de um paciente vítima de queimaduras. E
nunca imaginei que aconteceria comigo”. Esse é o sentimento de quem ainda se
recupera de um acidente ocorrido há menos de dois anos durante o fim do
expediente de trabalho. Flavitania Pereira de Sousa, 25 anos, ficou com 43% do
corpo queimado após cair sobre ela uma panela de óleo quente, em julho de 2024.
Ela é gerente na pastelaria onde ocorreu
o acidente. Faltou um funcionário e ela foi fazer a limpeza da cozinha, quando
escorregou e bateu o braço no tacho de óleo. “Naquele momento, meu mundo caiu. Tentei
levantar e saí derrubando tudo para chegar até a pia, pois eu não podia abrir o
olho. Duas colegas minhas começaram a me jogar água. Saí correndo para outra
sala, para o chuveiro gritando e chorando de dor”, relembra.
O Samu fez os primeiros socorros e
encaminhou para o hospital. “Cheguei ao Hugol aos prantos. Eu não estava
aguentando de tanta dor”, conta. Ela foi para o centro cirúrgico no dia seguinte
ao acidente, ficou 11 dias na UTI, se alimentou por sonda, ficou um mês
internada e passou por oito cirurgias, sendo uma para enxerto de pele.
“Cada hora que passava era angustiante.
No terceiro dia na UTI, a assistente social levou um tablet para eu ver minhas
filhas. Nessa hora eu falei pra Deus que ele já podia me levar que eu estava
pronta e que eu tinha me despedido das minhas filhas”, relembra.
Ela conta que acabou pegando uma
bactéria na UTI. “Precisei ser internada de novo após cinco meses da alta para
uma nova cirurgia de enxerto no braço porque a bactéria estava impedindo a
cicatrização”, relata Flavitania.
Atualmente, ela faz acompanhamento com
nutróloga em razão da perda de massa muscular, fisioterapia e acompanhamento
psicológico. “Trato uma depressão severa e o estresse pós-traumático. Todas as
noites eu sonho com aquele dia. Choro e pergunto muito a Deus o porquê
aconteceu comigo, porque isso me dói tanto, porque eu não consigo aceitar”,
lamenta.
Ela conta que sempre foi batalhadora,
trabalhou desde cedo e que, aos 20 anos, já havia conquistado uma vida
estabilizada. Com o acidente, diz ter se tornado uma menina magoada e de sonhos
interrompidos em razão das sequelas, cicatrizes e dores que ainda sente no
corpo.
Mas, ao mesmo tempo, Flavitania carrega
muita gratidão e esperança no coração. “Conheci tantas pessoas que trabalham
com amor no Hugol e queria dizer que eles me ajudaram muito, não tenho nem
palavras para agradecer a todos os profissionais”, diz. E complementa: para
quem passou ou está passando o mesmo que eu, seja forte e corajoso. Deus não
abandona aquele que tem fé. É difícil, mas vamos conseguir passar essa batalha”,
finaliza.