Cresce número de casos de violência contra as mulheres, mas ainda há subnotificação daqueles que causam queimaduras

- 16/03/2026

Nem é preciso consultar dados oficiais para perceber que o número de casos de violência contra as mulheres e meninas tem aumentado ano após ano. Basta acessar qualquer canal de notícias para se deparar com as barbáries que têm acometido pessoas do sexo feminino de todas as idades, cores, raças e situação econômica. E a maioria dos acusados são pessoas do círculo de convivência da vítima. 

Segundo o relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, houve um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios no país.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que os julgamentos de feminicídio aumentaram 17% no início de 2026. Processos de feminicídio triplicaram nos últimos cinco anos, crescendo 3,49% apenas em janeiro de 2026. O judiciário relatou 947 novos casos de feminicídio registrados em janeiro de 2026. 

O que os dados não mostram, porém, é a quantidade de vítimas de violência doméstica e de feminicídio que foram atacadas por substâncias que provocam queimaduras. E é justamente isso que a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, a enfermeira doutora Raquel Pan, pretende levantar em sua pesquisa intitulada Caracterização da violência contra a mulher por queimaduras do Brasil. 

“O objetivo do estudo é analisar o perfil da violência contra a mulher por queimaduras, com base nas informações provenientes dos atendimentos realizados pelos profissionais de saúde no Brasil”, destaca Pan. O levantamento está sendo feito junto aos Centros de Tratamento de Queimados, e serviços que atendem mulher vítimas de violência e queimaduras, e ela pretende apresentar os resultados durante o XVI Congresso Brasileiro de Queimaduras que ocorrerá nos dias 11 e 12 de junho deste ano, em Campinas (SP). 

Atualmente, há uma subnotificação de casos que dificultam a adoção de políticas públicas neste sentido.

Chefe do CTQ do Hospital da Restauração de Recife e presidente da SBQ regional Pernambuco, a médica Cristine Dallanora relata que na unidade tem crescido o número de atendimentos de mulheres vítimas de violência. 

 “Temos recebido uma quantidade muito grande de mulheres vítimas de queimaduras pelos próprios companheiros e amigos, pessoas que convivem com essas mulheres e que as agridem com fogo”, destaca. 

 O caso mais recente atendido na unidade de Dallanora ocorreu neste ano: uma mulher foi atacada com tíner por um colega de trabalho. “Apesar de não parecer, o tíner é inflamável. Se você joga produtos como tíner, álcool, gasolina, e junto com isso você ateia fogo e chamas, a paciente queima em uma profundidade importante. Muitas até evoluem a óbito”, faz o alerta. 


Aos profissionais que puderem colaborar com a pesquisa da Profa. Dra. Raquel Pan e a sua equipe, composta pelas acadêmicas de enfermagem Ana Luísa Rosado Ramos e Larissa Rocha Tavares, pela Enfermeira, Mestre e Doutoranda Ana Luisa da Cruz Franciscon, basta acessar o link da pesquisa

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