Minas Gerais acaba de credenciar mais dois CTQs de alta complexidade

Lyd Comunicação - 10/04/2024

Estado que é pioneiro em um projeto de estruturação da linha de cuidados de queimaduras e será sede do XIV CBQ passa a contar com 16 centros. 


Minas Gerais acaba de ter credenciado mais dois hospitais na linha de cuidado de assistência ao paciente queimado porte III, ou seja, de alta complexidade. São eles o Hospital de Clínicas de Uberlândia e o Hospital Santa Casa de Bom Despacho. Com isso, o estado passa a contar com 16 unidades de média e alta complexidade para atender vítimas de queimaduras, além do apoio de quatro hospitais de trauma, fechando, assim, a quantidade de centros de tratamento de queimados previstos no projeto de estruturação da linha de cuidados.

Segundo a coordenadora de Gestão de Cuidados Intensivos Hospitalares da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, Letícia Fernanda Cota Freitas, estão sendo destinados R$ 23 milhões para a estruturação desses 16 centros. “E temos previsto em torno de R$ 70 milhões por ano para cofinanciamento das diárias de internação”, explica. 

O credenciamento e o financiamento dessas unidades fazem parte de um projeto que será tema do XIV Congresso Brasileiro de Queimaduras, promovido pela SBQ, marcado para os dias 26 e 27 de setembro deste ano: a linha de cuidados de Minas Gerais. O estado é pioneiro na estruturação que atenda vítimas de queimaduras. O projeto foi iniciado há três anos pelo Grupo Técnico da Secretaria de Saúde do estado, com o apoio técnico do Hospital João XXIII e da Sociedade Brasileira de Queimaduras. 

Conforme conta Diovana Paiva Faustino, enfermeira especialista em políticas e gestão de saúde e referência técnica da coordenação de cuidados intensivos hospitalares de Minas Gerais, em 2021 foi realizado um estudo acerca do cenário assistencial do paciente queimado, que apontou a necessidade de estruturação da linha de cuidado para este perfil de paciente e foram identificados vazios assistenciais e uma rede de atenção deficiente.

Na época, o estado contava com apenas três hospitais habilitados como centro de referência - Alta Complexidade, que continham no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) o total de 14 leitos de UTI Queimados, dos quais nove exclusivos, sendo referência para uma população de 21.411.923 de habitantes.

Em março de 2022 foram aprovadas as diretrizes da linha de cuidado de assistência ao paciente queimado. Já em outubro, com o objetivo de organizar as diretrizes já publicadas, foi realizada a atualização e consolidação das regras de estruturação e cofinanciamento da linha de cuidado. No final do mesmo ano, foi publicada resolução aprovando credenciamento de 20 Centros de Tratamento de Queimados (CTQ) dispostos em 18 municípios, localizados em 11 macrorregiões de saúde, otimizando o acesso do paciente grave ao leito hospitalar por meio da regulação do acesso em fila única.

A linha de cuidado foi monitorada por seis meses a partir o início de funcionamento e o monitoramento demonstrou necessidade de reformulação da política, uma vez que os pacientes queimados possuem um perfil clínico mais complexo que a capacidade assistencial dos CTQs.

 “Além disso, havia, também, vazios assistenciais. CTQs com estrutura incompatível com a necessidade, demanda reprimida para cirurgia reparadora e necessidade de inclusão de outros pontos de atenção, como ambulatório, serviço de atenção domiciliar”, complementa Diovana.

Então, foi feita uma reformulação e, para isso, feito novo levantamento acerca do perfil dos pacientes queimados, bem como a necessidade de leitos de UTI e enfermaria em todas as macrorregiões do Estado e identificada a necessidade de leitos em Minas Gerais. Eram necessários 42 leitos de UTI e 70 de enfermaria de alta complexidade; e nove leitos de UTIs e 45 leitos de enfermaria de média complexidade.


“Estamos dando um passo muito grande com a ampliação da rede e temos muito trabalho ainda com as dificuldades que vêm aparecendo, como a de conseguir equipe especializada, principalmente cirurgião, e treinamento, porque a rede é grande, mas a maioria dos profissionais é inexperiente nessa área”, observa a vice-presidente da SBQ, Kelly de Araújo, lembrando que a SBQ promoveu, no final do ano passado, o  Curso Nacional de Normatização do Atendimento ao Queimado (CNNAQ) em três cidades de Minas Gerais (Montes Claros, Belo Horizonte e Uberlândia), totalizando a capacitação de cerca de 340 profissionais.

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