Cirurgião plástico Marcos Barretto será homenageado na X JBQ

Publicado em 18 de abril de 2017

O cirurgião plástico Marcos Guilherme Praxedes Barretto será um dos homenageados na X edição da Jornada Brasileira de Queimaduras (JBQ). O médico atua há 43 anos na área e não esconde a paixão pela profissão. Com espírito altruísta, Barretto atende somente na rede pública, eliminando a possibilidade de um consultório privado. Atualmente, dedica, exclusivamente, 12 horas de atividades no Centro de Queimados do Hospital da Restauração.

O profissional se dedica também a treinar residentes de cirurgia plástica na área de queimaduras nos três centros formadores de Pernambuco (Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), Hospital Agamenon Magalhães e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ademais, dissemina conhecimentos sobre prevenção de queimaduras ao participar de programas radiofônicos, televisivos e jornais impressos e online.

As benfeitorias de Barretto ainda incluem assistência aos familiares das vítimas. Dessa forma, ele informa aos entes queridos sobre o desdobramento do tratamento, como consequências e possíveis sequelas. “Os catequizo para verem o quanto é importante a prevenção, usando o exemplo de um familiar vitimado”, explica o cirurgião. Além disso, o médico luta dentro da instituição que trabalha para que não faltem insumos, mesmo aqueles mais onerosos, para assistência do paciente.

Cirurgião plástico Marcos Barretto

Cirurgião plástico Marcos Barretto

Medicina
Barretto veio de uma família de agropecuaristas e via no cotidiano o quanto era difícil acumular patrimônio. Tudo girava em torno dos negócios. “Sempre quis fazer algo diferente para minha vida, algo mais nobre, e nada melhor do que ser um protetor da saúde alheia. Sempre fui muito apoiado na minha escolha”, conta.

Ele fez da agropecuária sua fonte de renda para depois poder se dedicar à medicina. “Meu pai convenceu-me que o futuro da minha medicina estaria na agropecuária e assim aconteceu. Iniciei no ramo e pude, a partir daí, me dedicar em tempo integral ao serviço público. São 12 horas por dia de dedicação ao paciente vítima de queimaduras, é assim desde os anos de 1990”.

O cirurgião se sente completamente realizado em sua profissão. “Eu ajudava pessoas necessitadas e isso me dava prazer. A partir disso, montei um grande serviço ao longo dos últimos 30 anos e tive a satisfação do reconhecimento da população que assisti, das esferas governamentais, da sociedade médica, dos colegas. Me sinto plenamente feliz na minha principal atividade”, celebra.

Barretto relata que já pode se aposentar, porém, isso o entristeceria. “No momento, o mais importante é me manter vivo e em atividade. Tenho ainda um bom tempo para ajudar muitas pessoas necessitadas”, afirma. O Hospital Restauração atende 3 mil novos pacientes queimados por ano, e, em 2016, foram internados 1.040 desses pacientes. Como se vê, a demanda é muito elevada para poucos interessados na área. “Esta é uma dificuldade real, motivar os mais jovens, que hoje estão mais interessados em suas conquistas financeiras que no seu bem-estar interior”, lamenta.

Prevenção e tratamento
O tratamento do queimado só é necessário a partir do momento que a tragédia acontece. Dessa forma, o cirurgião vê na prevenção a melhor forma de “tratamento”. Hoje existem programas em Pernambuco, como o Saúde da Família, que podem facilitar a redução dos acidentes, principalmente na infância. “O mais importante é evitar que o desastre aconteça. Todos nós que lidamos com queimados, sabemos que estamos trabalhando nas consequências de um acidente”.

O Saúde da Família é um programa no qual os agentes de saúde visitam os domicílios de onde vem a maioria dos pacientes vítimas de queimaduras. Segundo o cirurgião, nestas visitas deveriam haver orientação das pessoas no tocante a gambiarras elétricas, riscos do fogão, do álcool e fósforo ao alcance das crianças. Ainda de acordo com o médico, é necessário inserir na grade escolar primária a disciplina de prevenção de acidentes domésticos, que hoje é responsável por 85% dos casos com queimaduras. “O paciente acidentado por queimaduras custa muito caro para todos nós. Onde está a vontade política de resolver o problema?”, questiona.

Barretto avalia a evolução no tratamento da pessoa vítima de queimadura como “muito lenta”. “Isso acontece, em partes, por causa do alto custo dos avanços tecnológicos. Com isso, as instituições não proporcionam todo o necessário para a recuperação do paciente”. Segundo o cirurgião, faltam serviços especializados, profissionais capacitados e interessados nessa classe de paciente. “Os órgãos governamentais parecem muito insensíveis a esta demanda do grupo que trata do paciente que carece de atenção. Isso me entristece”, lamenta.

O paciente
“Classifico, infelizmente, o paciente vítima de queimaduras de segundo e terceiro graus como o leproso do século XXI”. Barretto relata que são poucas pessoas que gostam de chegar junto ao ferido desde a entrada no hospital. É por isso, entre outras causas, que a vítima é encaminhada para o Centro de Tratamento, pois lá haverá uma equipe especializada e habituada para lidar com ele.

O queimado é um paciente que exige muito, pois tudo incomoda. Além do tratamento ser a longo prazo, a vítima é de difícil colaboração e ao final do processo ainda podem haver sequelas. “Por experiência própria, afirmo que se você quer matar um queimado com sequelas, diga a ele que não existe mais nada a ser feito. Você mata nele a vontade de viver. Sempre haverá algo a ser feito por essa vítima, nem que seja uma palavra de conforto, uma perspectiva de futuro, mas nunca se deve matar a esperança de melhora”.


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